
Se a Brigada Militar cuidasse apenas de suas atribuições, todo o esforço estaria voltado à segurança pública, ao combate à criminalidade e ao policiamento ostensivo.
Mas isso seria possível apenas em um mundo ideal, onde não houvesse a omissão de outros órgãos responsáveis. Tomemos como exemplo a saúde mental e o atendimento a pessoas em crise ou em surto. Conforme a Lei nº 10.216/2001, essa é uma atribuição da área da saúde, e não da Brigada Militar.
No entanto, por se tratar de situações delicadas, mais essa responsabilidade acaba sendo colocada sobre os ombros da Brigada Militar. Somente no ano passado, a BM atendeu mais de 4 mil ocorrências desse tipo. Já nos primeiros 15 dias de janeiro deste ano, foram mais de 200 intervenções nessa natureza (dados da SSP-RS).
Dentro desse universo de milhares de atendimentos bem-sucedidos, o que se torna relevante para parte da mídia e para certos políticos oportunistas e hipócritas são apenas duas ocorrências que não tiveram o desfecho esperado. Isso é suficiente, para eles, para desqualificar todo o trabalho da Brigada Militar em uma atividade que sequer é de sua atribuição. Ainda assim, como instituição comprometida com o povo gaúcho, a BM nunca se furta a atender, não se importando com a ingratidão e a hipocrisia que vêm depois.
“Joga pedra na Geni (BM)”.
* “Joga pedra na Geni” é um famoso refrão da música “Geni e o Zepelim”, de Chico Buarque, que integra a Ópera do Malandro. A canção critica a forma como a sociedade condena e explora figuras que estão a margem da sociedade — como a personagem Geni — enquanto recorre a elas quando lhe convém, evidenciando hipocrisia e intolerância. A expressão tornou-se um bordão para ilustrar o hábito de apontar o dedo e culpar alguém facilmente, mesmo quando essa pessoa é vista como “feita para apanhar” e “boa de cuspir”.
