Anuário da Segurança mostra o RS com bons números, mas com custo alto de vidas policiais

Os números gaúchos do Anuário de Segurança Pública

Apenas quatro policiais gaúchos foram mortos por criminosos em 2025, enquanto 14 tiraram a própria vida. Os dois números estão na mesma edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgada nesta quinta-feira (23), mas o governo e alguns políticos só falarão do bom resultado, mas nem se quer uma linha irão citar do custo de vidas policiais para chegar a esses resultados.

O Rio Grande do Sul alcançou em 2025 um dos melhores resultados de sua história na área da segurança pública. Segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o Estado registrou 1.266 mortes violentas intencionais, uma redução de 25,7% em relação a 2024. A taxa caiu para 11,3 mortes por 100 mil habitantes, a menor da série histórica gaúcha e a quarta menor do país.

Outros indicadores também apresentaram melhora. O Estado passou todo o ano sem registrar roubos a instituições financeiras, enquanto os roubos de veículos recuaram 24%, reforçando os efeitos das políticas públicas de combate à criminalidade.

Na contramão do cenário nacional, o Rio Grande do Sul também reduziu significativamente a letalidade policial. As mortes decorrentes de intervenção policial caíram de 147 para 76 em um ano, uma redução de quase 50%. Com isso, a polícia gaúcha passou a responder por apenas 6% das mortes violentas registradas no Estado, índice muito inferior à média nacional, de 16%.

Apesar dos avanços, o relatório traz um dado alarmante: 14 policiais da ativa tiraram a própria vida em 2025, colocando o Rio Grande do Sul com a maior taxa de suicídio entre policiais do país, quase três vezes acima da média nacional. O anuário aponta que o suicídio já é a principal causa de morte entre policiais civis e militares no Brasil, evidenciando a necessidade de fortalecer as políticas de saúde mental voltadas aos profissionais da segurança.

O documento também chama atenção para o sistema prisional gaúcho. A população carcerária cresceu 14,1% em um ano, alcançando 53.386 presos. O déficit de vagas aumentou para 12.550, enquanto foram registradas 300 mortes sob custódia do Estado, com taxa de mortalidade superior à média nacional.

Os números revelam que, embora o Rio Grande do Sul tenha obtido resultados expressivos na redução da violência e da criminalidade, ainda enfrenta desafios importantes relacionados à valorização e à saúde mental dos profissionais da segurança pública, além da superlotação e das condições do sistema prisional.

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