
A ASSTBM manifesta profunda preocupação e indignação diante da postura adotada pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul, especialmente pela Casa Civil, que segue sem abrir um canal efetivo de diálogo com os servidores de nível médio da Brigada Militar. Enquanto outras categorias e carreiras conseguem avançar em tratativas, a base da Corporação — composta por policiais militares ativos e inativos que sustentam diariamente a segurança pública gaúcha — permanece há anos sem a devida valorização salarial.
A recente manifestação da ASOFBM, informando manter contato permanente com a Casa Civil e com o gabinete do governador para tratar de reposição salarial e de correções específicas no subsídio do posto de Capitão, evidencia uma realidade que precisa ser enfrentada com responsabilidade: o Governo Eduardo Leite tem dispensado tratamento diferenciado dentro da própria Brigada Militar. Ao mesmo tempo em que determinados setores conseguem acesso direto às instâncias de decisão, a carreira de nível médio segue ignorada, sem resposta concreta, sem mesa de negociação e sem reconhecimento proporcional ao seu papel essencial na segurança pública.
Não se trata de negar a legitimidade de qualquer segmento em buscar melhorias. O que a ASSTBM não admite é que o Estado promova ou tolere uma lógica de privilégios, na qual alguns avançam sobre o orçamento público enquanto a maioria dos policiais militares — incluindo ativos, inativos e pensionistas — permanece excluída das discussões. A Brigada Militar é uma instituição formada por uma grande família policial, e qualquer política remuneratória que desconsidere essa coletividade aprofunda divisões, gera injustiça e compromete o princípio da valorização isonômica.
Durante oito anos, os servidores de nível médio da Brigada Militar enfrentaram a ausência de reajustes ou de recomposição salarial capazes de enfrentar as perdas inflacionárias acumuladas. Nesse mesmo período, o governo concedeu aumentos e melhorias relacionados a funções gratificadas e a estruturas que beneficiaram especialmente setores do nível superior, reforçando a percepção de desigualdade no tratamento institucional. Para a ASSTBM, essa postura é injusta com quem veste a farda nas ruas, atende à população, enfrenta riscos permanentes e carrega, na prática, o peso cotidiano da segurança pública.
A falta de diálogo com a carreira de nível médio não é apenas uma falha administrativa. É uma escolha política. Quando a Casa Civil abre portas para alguns e mantém fechadas para outros, transmite uma mensagem grave aos servidores: a de que nem todos têm o mesmo valor perante o governo. Essa diferenciação é inaceitável, especialmente em uma instituição militar estadual que depende da coesão, do respeito e do reconhecimento de todos os seus integrantes.
A ASSTBM reafirma que continuará firme na defesa dos direitos da categoria, sem aceitar negociações fragmentadas que busquem privilegiar grupos específicos em detrimento da maioria. Toda e qualquer negociação remuneratória precisa contemplar o conjunto dos policiais militares, ativos, inativos e pensionistas, respeitando a história, o sacrifício e a dignidade de quem dedicou — ou ainda dedica — sua vida à Brigada Militar.
