Imagens de câmera de vigilância flagraram Mauro Rogério Silva dos Santos atacando policial antes de sofrer golpes de cassetete
Por: Mauricio Tonetto e Leonardo Lopes ZERO HORA
Nas imagens, registradas por uma câmera de vigilância a partir das 22h42min, dois jovens aparecem caminhando por uma rua do centro de Caxias quando são abordados por dois PMs, que os revistam. A suspeita é que a dupla estivesse pichando prédios com frases contra o presidente Michel Temer. Nove minutos depois, o advogado está na cena, conversando com um policial. Não há qualquer ato de violência. Outros três PMs se acercam e um deles pega no braço de Santos, que o empurra.
Após breve discussão, o sargento Wentz se aproxima. Santos, então, desfere a cabeçada contra ele, e passa a ser agredido com diversos golpes de cassetetes. Na semana passada, a página do Mídia Ninja no Facebook publicou um vídeo (neste link), cujo início se dava no momento em que os PMs atacaram o advogado. Em entrevista ao Pioneiro na manhã desta quarta-feira, Santos alega que foi agredido antes de dar a cabeçada:
— Se você verificar o vídeo com atenção, verá que eu já estava num ambiente de agressão. Eles já haviam batido em mim antes. Aguarde, devem ter outras câmeras. Eu tentei dialogar. Pedi os nomes das pessoas abordadas e os motivos, não interferi na abordagem. Não respeitaram as minhas prerrogativas de advogado.
“A verdade iria aparecer”, fala BM
No tumulto, o soldado Cristian Luiz Preto, 32 anos, acabou atingido na cabeça por um chute, dado por Vinicius Zabot dos Santos, 21 anos, filho do advogado. O jovem foi preso e indiciado por tentativa de homicídio. A BM abriu um Inquérito Policial Militar (IPM) para investigar a conduta dos oficiais envolvidos na briga.
— Sempre afirmamos que, com o tempo, a verdade iria aparecer. Aquele vídeo era uma parte dos fatos. Apenas uma versão que não mostrava o início da abordagem (aos suspeitos de pichação) e a primeira agressão sofrida pelos policiais (a cabeçada contra o sargento Wentz). Só aguardamos prudentemente o desenrolar dos fatos. Ressalto que a investigação ainda não está finalizada e confiamos nos órgãos competentes — afirma o tenente-coronel Ronaldo Buss, comandante do policiamento em Caxias do Sul.
Wentz teve três dentes quebrados e fará um tratamento para restauração. O soldado Cristian Luiz Preto ainda está em observação, pois houve suspeita de lesão cerebral. Na última sexta-feira, o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Claudio Lamachia, esteve em Caxias do Sul para manifestar apoio a Santos. Ele classificou a atitude dos PMs de “covarde” e garantiu que ia procurar a corporação e o MP para esclarecimentos sobre o fato.